Mariola Filmes exibe longa na comunidade do Amaro Branco

Evento integra comemorações de São Pedro, padroeiro dos pescadores e dos moradores do bairro do sítio histórico de Olinda

A Mariola Filmes planeja uma atração especial em comemoração aos festejos de São Pedro no Amaro Branco, bairro nos arredores do sítio histórico de Olinda. Nesta sexta-feira (29.06), a produtora e cineasta Mariana Fortes exibe o longa O Coco, a Roda, o Pnêu e o Farol, documentário que aborda a produção secular de coco de roda realizada pela comunidade. A apresentação do filme acontecerá a partir das 20h, na praça central do Amaro Branco.

Esta será a primeira vez em que os dois mil habitantes da comunidade poderão se reconhecer na telona. O documentário, que foi filmado em 2005 e 2006, faz um resgate do folguedo popular e dos mestres coquistas locais. A data não poderia ser mais especial: dia de São Pedro, padroeiro dos pescadores e santo de devoção da comunidade.

Para celebrar os festejos de São Pedro, a comunidade se une para uma procissão em homenagem ao Santo, que parte da Colônia Z-4, à beira-mar, por volta das 16h. Depois, a procissão sobe rumo ao Amaro Branco, onde todos festejam até o dia amanhecer embalados pelo contagiante Coco do Pnêu, coordenado pelo Mestre Lú do Pnêu há 18 anos.

Segundo Mariana Fortes, diretora do longa, o evento marca a trajetória do filme, pois trata-se da primeira exibição para a comunidade, ansiosa para ver o resultado das gravações. “Este momento também é especial para Mariola, pois sempre fizemos questão de exibir o filme na comunidade”, completa a cineasta. A exibição é também uma homenagem a Mestre Dédo, coquista da comunidade e integrante do documentário, que foi assassinado em janeiro deste ano.

A cineasta informa ainda que, posteriormente, a película também será exibida na Sambada de Coco de Beth de Oxum, no Guadalupe, outro bairro que tangencia o Sítio Histórico de Olinda. Na exibição festiva de sexta-feira, estarão presentes mestres coquistas retratados no filme como Ana Lúcia, Ferrugem, Lú do Pnêu, Dona Glorinha, Dona Montinha, Beth de Oxum e Pombo Roxo.

Documentário - O Coco, a Roda, o Pnêu e o Farol é o primeiro longa de Mariana Brennand Fortes, brasiliense de alma pernambucana com formação em cinema pela Universidade da Califórnia. A película segue a filosofia da Mariola Filmes: resgate, preservação e divulgação dos valores culturais.

Lançado durante o Cine PE 2007, o longa arrebatou o prêmio Gilberto Freyre no Festival, concedido pela importância conferida à música como elemento de miscigenação cultural das raças brasileiras. O filme, que também foi exibido durante o IV Panorama Recife de Documentários (02 a 06 de junho), começa a percorrer o circuito nacional de filmes. Em julho, a película será exibida durante o Festival de Belém do Cinema Brasileiro e, em outubro, o filme será exibido durante a Mostra de Cinema Nordestino, em São Paulo.

O nome do filme sintetiza a comunidade do Amaro Branco, suas origens e sua rica produção cultural. Folguedo típico das regiões praianas, o coco de roda é produzido no Amaro Branco há mais de cem anos. O Farol ilumina as embarcações e marca a paisagem do bairro de pescadores, os quais encontraram no mar um pneu de avião trazido ao Amaro Branco. O objeto foi colocado sob uma árvore cuja sombra servia de abrigo para os brincantes que se reuniam para cantar loas e, assim, deram início ao tradicional Coco do Pneu.

O Coco, a Roda, o Pnêu e o Farol foi realizado em Co-produção com o Fábrica Estúdios e contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Olinda para a realização e exibição do filme. O longa foi finalizado em 35mm graças ao incentivo do Governo do Estado através do Sistema de Incentivo à Cultura (Funcultura).

 

 

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